MESSIAS DE MELLO

DADOS BIOGRÁFICOS

 

Artista alagoano impregnado da atmosfera da sua região, transmite em seus trabalhos uma grande força e ao mesmo tempo, extrema ingenuidade.Sua obra enfoca flagrantes apanhados nas feiras, no mar com os pescadores, os mendigos das ruas, violeiros e os retirantes.
A integração e adaptação do homem ao seu­­­ rude ambiente, tantas vezes cantado; a estóica resistência até o limite possível, a resignação fatalista quando esse limite é ultrapassado pela natureza agressiva e hostil.
O temperamento alegre e festeiro, o cultivo tradicionalista das celebrações religiosas e folclóricas. Enfim, a enorme vitalidade pronta para aflorar no homem simples, está presente na sua pintura alegre, colorida e humana.

1904 – Manoel Messias de Mello nasce em 16 de agosto, em Maceió, Alagoas.

1918 – Com 14 anos trabalha como aprendiz do pintor suíço Joseph Mercoli, na Exposição da Paz, na Praia de Maceió, hoje Avenida da Paz.

1920 – Inicia estudos com o professor Lourenço Peixoto.

1922 – Trabalha como pintor de tabuletas no cinema Delícia, de propriedade do sr René Tiririca.

1923 – Viaja com o Circo europeu, como pintor de placas e cartazes.

1925 – O Circo Europeu divide-se em dois na Bahia e Messias permanece na parte do circo que passou a se chamar Circo Rio de Janeiro. Alguns meses depois, desliga-se de vez do circo e retorna a Maceió.

1926 – Ingressa na Empresa Cinematográfica César Pinto & Paurilio, sempre pintando cartazes e cenários e continua seu estudo de pintura clássica.

1926 – Participa do Primeiro salão do Instituto de Belas Artes Rosalvo Ribeiro, no grupo de artistas independentes de Maceió.

1927 – É chamado por seu irmão Judas Isgorogota ( Agnelo Rodrigues de Mello) a São Paulo, começando a trabalhar como pintor de cartazes no magazine “A Capital”.

1928 – Retorna a Maceió, onde continua a sua atividade nas artes plásticas, frequentando  as aulas do mestre Lourenço Peixoto, ao lado  dos colegas Luís Silva, Eurico Maceió, o poeta  Carlos Paurílio e outros.

1930 – Em uma festa do Instituto de Belas Artes Rosalvo Ribeiro, uma aluna de escultura recebe das mãos do presidente da comissão julgadora uma medalha de ouro, como prêmio pelo melhor trabalho do ano. O nome da artista, Eurídice Araújo Sampaio.

1931 – Na Igreja Matriz de Maceió, Messias e Eurídice casam-se e viajam para São Paulo no mesmo ano. Messias volta a trabalhar como vitrinista e desenhista.

1932 – Eclode a revolução constitucionalista em São Paulo. Para sobreviver, Messias pinta a bandeira de São Paulo nos capacetes dos soldados .Sua esposa Eurídice o ajuda nesse trabalho. Nasce sua primeira filha, Norma.

1933 – Ingressa na Gazeta de Cásper Líbero e ao lado de Judas Isgorogota, Belmonte, Nino Borges e João Brito, inicia sua atividade nos quadrinhos na recém criada revista “Gazeta Infantil”, onde cria os personagens cômicos a família Pão Duro, Gibimba e também o Tutu e sua turma.

1934 –. Para a revista “Gazeta Infantil” ilustra numerosas séries em quadrinhos como “O enigma do espectro de James Hull”, “Capitão Blood”, “O Conde de Monte Cristo”, “Uma aventura na África”, “Sherlock Holmes”, “O raio da morte” e “A conquista das esmeraldas”.

1935 – Viaja para Porto Alegre onde trabalha na decoração do Pavilhão de São Paulo, na Exposição Farroupilha.

1936 – Recebe Prêmio de pintura acadêmica Especial no Salão Paulista.

1937 – Além dos trabalhos e histórias em quadrinhos na “A Gazeta“, dedica-se à arte decorativa de “stands”, projetando e decorando diversas exposições no Parque da Água Branca. Sua atividade nos quadrinhos nesse período está registrada no livro “Estórias em quadrinhos para quadrados”.  Com a eclosão da Segunda Guerra, a revista “A Gazeta Infantil” deixa de circular.

1946 – Participa do núcleo Bernadelli, no Rio de Janeiro, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, com Menezes, Miguel Torres e outros.

1948 – Sua principal atividade nesse período são os quadrinhos. Desenha uma série de histórias para a revista “A Gazeta Juvenil”, como “O Trotamundos,” “Audaz, o demolidor”, “Bascomb”, “Perdidos no Igapó”, “Os miseráveis”, “A máscara de ferro”, O Zorro” ,”Os três mosqueteiros” e várias outras, com textos ou adaptações de Judas Isgorogota, Armando Brussolo e Jerônimo Monteiro. Exerce o cargo de chefe dos desenhistas da revista, trabalhando ao lado de Jayme Cortez, Amleto Sammarco, Zaé Júnior, João Brito,  Eud Albuquerque, Cláudio de Souza, Lindenbergh Faria e outros.

1950 – Com o fechamento da revista “A Gazeta Juvenil”, colabora com o jornal “A Gazeta”, fazendo ilustrações de capa nas efemérides e começa a trabalhar para o jornal “A Gazeta Esportiva”, fazendo charges esportivas diárias. Cria os mascotes de diversos clubes brasileiros.

1951 – Ilustra série de livros infantis para a Editora do Brasil, entre os quais “Robinson Crusoe”, totalmente em quadrinhos.

1953 – Ganha o primeiro prêmio no Concurso de cartazes para o Quarto centenário de Santo André da Borda do Campo.

1954 – Trabalha durante o ano na Exposição do Quarto centenário da cidade de São Paulo.

1956 – Realiza uma série de histórias em quadrinhos para a Editora La Selva. São histórias cômicas sobre os ídolos da televisão e cinema, como Arrelia e Pimentinha, Oscarito e Grande Otelo. Messias também ilustra as capas coloridas dessas edições.

1960 – Ilustra a série de cinco volumes “Histórias da nossa História”, com texto de Cláudio de Souza, para a Editora do Brasil.

1964 - Colabora com a revista André Luis e no mesmo ano realiza uma série de quadrinhos para aquela revista. Essa seria a sua última incursão nos quadrinhos.

1967 – Participa da XXVI Exposição coletiva da Associação Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia.

1975 – Depois de trabalhar quatro décadas na organização Cásper Líbero, Messias se aposenta, passando a dedicar-se exclusivamente à pintura.

1975- Recebe o Diploma de Pioneiro na história em quadrinhos brasileira, em Avaré, São Paulo.

1976 – Grande medalha de ouro e prêmio aquisição, no segundo salão nacional do jornalista, na cidade de Santos, onde participa de exposição coletiva junto com Armando Sendim, Rubens Ianelli e Manezinho Araújo, entre outros.

1976 – Medalha de prata no primeiro salão da “SASPBAA”, na galeria Prestes Maia – Salão Almeida Júnior.

1977 – Participa de entrevista documentária para os arquivos do Departamento de arte da TV Cultura de São Paulo.

1977 – Expõe sua obra mais recente na Dan Galeria, de São Paulo.

1994 – Falece em 18 de outubro no Hospital São Camilo, no bairro paulistano de Santana.

Livros com referência ao artista:

  • * “Estória em quadrinhos para quadrados”
  • *  “Mestres da ilustração”
  • *  “A técnica do desenho”
  • *  “Profil of the new brazilian art” - Pietro Maria Bardi
  • *  Site: www.messiasdemello@uol.com.br
  • *  “Vapt- Vupt”  - Álvaro  de Moya
  • * "24 ilustradores " - Reinaldo Oliveira
  • * Curso completo de desenho artístico" - Jayme Cortez