Começou a desenhar em Maceió, criança ainda. Riscava em muros cobertos de musgo. Usava uma varinha com um carvão em sua extremidade à guisa de lápis e fazia caricaturas dos políticos da época, Pinheiro Machado ou Barão do Rio Branco e alguns artistas do cinema mudo.

Quando sua mãe lhe pedia pra comprar pão, o pessoal da padaria pedia que desenhasse qualquer dessas figuras sobre o papel de embrulho. Com isso, conseguia pão de graça, sempre na mesma padaria. Mais tarde já com 16 anos, resolveu que esta seria a sua profissão e passou a estudar com o Professor Lourenço Peixoto, com quem aprendeu técnicas de carvão e óleo. Poucos meses depois, viu que não tinha mais nada a aprender com ele, saiu de lá e organizou uma exposição com dois colegas, Luiz Silva e Eurico Maciel, que seguiriam a carreira artística no Rio.

Logo, porém, a situação financeira de casa se deteriorou e ele teve que buscar um trabalho que lhe desse uns trocados a mais. Naquela época, os circos eram muito populares nas cidades, e precisavam de cartazistas. E pagavam mais que o cinema. Pintava leão, elefantes, focas, cavalos, o diabo a quatro. Só que a vida era bem dura. Primeiro, tinha que viajar para outras cidades e às vezes até outros estados com todo o circo. Depois, tinha trabalho braçal mesmo, como desmontar e montar as enormes lonas, alimentar os animais, carregar tudo nos vagões de trens. Todo o pessoal tinha que participar desse trabalho, sempre que o circo chegava ou partia de uma cidade. Ele era novo, gostava da aventura.

Viajava muito, desenhava demais, fazia anotações de pessoas, dos animais e objetos do ”natural”. Depois de um bom tempo viajando pra lá e pra cá, chegou a uma pequena cidade do sul da Bahia. Lá, os dois sócios se desentenderam e resolveram fundar cada um o seu próprio circo. Ele já se cansara daquela vida. Resolveu voltar para Maceió e para os seus cinemas. Encerrou, assim, a sua vida no circo.

O ano era 1927. Seu irmão Agnelo, que havia conseguido um emprego como redator no jornal “A Gazeta” convidou-o a vir para São Paulo. Conseguiu pequenos bicos em algumas grandes lojas de departamentos da cidade, como a Casa Capital e a Casa Alemã.

Trabalhava no próprio local onde os fregueses eram atendidos, fazendo cartazes com os preços das mercadorias. Depois de dois anos já se cansara de fazer cartazes. Não trocara o Norte pelo Sul pra ficar fazendo a mesma coisa. Além disso, a saudade de Maceió começava a lhe arder no peito.

Era 1929, Messias resolve voltar a Maceió.

Na sua cidade natal continua a desenhar como nunca, estuda com mestres como Luís Silva e Eurico Maciel, pinta marinhas com Lourenço Peixoto, convive com o mundo literário da cidade, torna-se amigo do poeta Carlos Paurilio.

Casa-se em 31 com a escultora Eurídice Araújo Sampaio e decide retornar à grande metrópole. Volta a trabalhar como cartazista e vitrinista fazendo pequenos bicos, ajudado pela esposa. Quando eclode a revolução de 32, desenha a bandeira da cidade nos capacetes dos soldados paulistas enquanto ela completa a pintura. Sua filha Norma havia nascido, em julho daquele ano e as despesas crescem com o aumento da família.

E para a sua alegria, consegue um emprego de desenhista no jornal a Gazeta. Era o ano de 1933 e eles estão editando uma nova revista, a “Gazeta Infantil”, popularmente chamada de “Gazetinha” e que havia começado a publicar em 1929.

A redação do jornal, que ficava em um pequeno prédio lá na rua Líbero Badaró, contava com alguns poucos desenhistas, pois a maior parte das histórias vinha do exterior. O mais conhecido, João Brito, era um português culto e afável, sempre com o seu charuto à boca e que viera de Paris, filho de família aristocrática de Portugal e se exilara no Brasil por motivos políticos. O Brito ficou conhecido à época pelo quadrinho que fazia na primeira página do jornal “A Gazeta”, sempre uma piada que ele mesmo criava e que se chamava “Semana a lápis”.

Messias observa o trabalho de J. Brito e de outros que vão surgindo no cenário da revista. Passa a conviver com artistas como Belmonte e Nino Borges. Observa o trabalho dessa gente e de J. Carlos, o seu favorito. Lia muito a revista Tico-Tico, que era sucesso na época. Estuda a técnica dos quadrinhos e em 1933 cria os seus primeiros personagens, Tutu e sua turma.

Desenha a história e o irmão Agnelo ( que havia adotado o pseudônimo de Judas Isgorogota ) faz o texto, em forma de poesia rimada. Os quadrinhos ainda não gozavam de muita popularidade naqueles tempos, então não havia muita coisa nova para se inspirar. Os americanos ainda não haviam chegado.

Messias começa a Ilustrar uma infinidade de séries, como "O enigma do espectro de James Hull",

"Capitão Blood", "A prisioneira do subterrâneo", "O Conde de Monte Cristo", " Uma Aventura na África" , "Sherlock Holmes", "O Raio da Morte" e "A Conquista das Esmeraldas". Em 1934 cria novos personagens para a revista, o “Pão-Duro e Gibimba”, com texto do seu irmão.

É uma época de grande trabalho na revista, pois Messias faz de tudo: capa, histórias, publicidade, carta enigmática, caricaturas, tudo que seja relacionado com desenho.

Depois, veio a Segunda Guerra e a revista parou de circular.

Depois do fechamento da Gazeta Infantil, Messias passa a fazer ilustrações de datas comemorativas, como Sete de Setembro, Dia das Mães, etc. Durante esse tempo, aproveita para se dedicar a uma das suas grandes paixões: a pintura com técnica de óleo. Pinta muito, sai a campo para fazer paisagens, frequenta sessões de modelo vivo, faz retratos de encomenda, aquarelas.

Quando a guerra terminou, o mercado editorial e de quadrinhos estava mudado. Havia uma procura maior por esse tipo de material e a Gazeta resolveu criar um novo projeto de revista, mais voltada ao público adolescente, com histórias românticas, fotos de astros de Hollywood, letras de músicas e até quadrinhos. A toda hora chegam à recém criada redação da Gazeta Juvenil, grupos de estudantes, artistas de teatro e cinema, cantores, atores, escritores e as mais estranhas figuras. Por alguns poucos anos, a redação da revista torna-se o centro do universo cultural de São Paulo. Lá trabalham Cláudio de Souza, J. Brito, Jayme Cortez, Zaé Júnior, Judas Isgorogota, Amleto Samarco, e free lancers que frequentavam a redação, como o ilustrador Manoel Vitor Filho, o Manovic, Silas Roberg, Álvaro Moya, Reynaldo de Oliveira.

Messias tinha um cargo honorífico, “chefe dos desenhistas”, mas ele nunca quis aceitar o peso administrativo que o cargo lhe conferia. Gostava era de desenhar. Passa a ilustrar séries nacionais como “Bascomb”, “O Trota mundos” “Perdidos no Igapó”, “Audaz, O Demolidor”, escritas por Judas Isgorogota, Jerônimo Monteiro Filho e Armando Brussolo, e também clássicos universais como “Os Três Mosqueteiros”, “Os Miseráveis”, “O Zorro”, "O Máscara de Ferro".

Mas a publicação não aguenta a concorrência dos quadrinhos americanos, que chegam com tudo e são baratos. Em 1950 a Gazeta Juvenil deixa de existir.

Da antiga turma, só o caricaturista Brito e Messias permaneceram no jornal. O Brito continuou a fazer a sua piada de primeira página no jornal “A Gazeta” e Messias passou a fazer a charge de esportes diária para o jornal “A Gazeta Esportiva”, além de fazer ilustrações para “A Gazeta”. Em algumas datas, o jornal costumava publicar uma poesia do seu irmão Judas na primeira página, com uma ilustração de sua autoria; Messias comentava, em tom de brincadeira, que toda a primeira página do jornal ficava em família.

Ele gostava muito de fazer essas charges esportivas. Mas tinha que desenhá-las diariamente, e às vezes até três charges por dia, pois era preciso prever três resultado, vitória para cada um dos times e uma para o caso de um empate! Em geral, não podia demorar mais que uma hora em cada charge e o jornal nunca ficou sem publicá-la por esse motivo.

Messias criou alguns dos mascotes dos times brasileiros. Quando começou esse trabalho na "Esportiva" já existiam alguns deles, como o Santo, do São Paulo, o Mosqueteiro, do Corinthians e o Periquito do Palmeiras, todos criados pelo traço de Nino Borges, hoje um nome esquecido. Criou algumas de times que não existiam à época do Nino, ou que ainda não eram tão grandes assim, como a Macaca da Ponte Preta, da Baleia do Santos e outros mais. Na verdade, imprimiu o seu traço inconfundível a esses mascotes, modernizando os que já existiam e criando novos personagens com o seu estilo.

Messias ainda faria alguns trabalhos de quadrinhos como a série “Arrelia e Pimentinha”, “Oscarito e Grande Otelo”, para a Editora La Selva, ou clássicos como “Robinson Crusoe”, para a Editora do Brasil Para essa mesma editora ilustra uma série enorme de livros infantis, capa e ilustrações e livros didáticos, como “Histórias da nossa história”.

Tem a sua obra reconhecida e ganha prêmios como o trofeu Angelo Agostinni, Trofeu Pioneiro em Histórias em Quadrinhos e outros.

Esporadicamente ainda faz algumas charges esportivas, quadrinhos e ilustrações para revistas espíritas.

Em 1975 decide se aposentar. Já não existia o jornal e a empresa havia se transformado em “Fundação Casper Líbero.

Passa a se dedicar a um dos seus maiores prazeres artísticos, a pintura.

Messias faleceu em uma manhã do dia 18 de Outubro de 1994. Seus restos estão sepultados no cemitério Chora Menino, em Santana, no mesmo bairro em que ele viveu 56 anos.

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